segunda-feira, 4 de junho de 2012

Em média, duas pessoas são assassinadas por dia


De janeiro até a manhã da última sexta-feira, o IML registrou 316 homicídios. As cidades de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro lideram esse ranking. No interior, o município de Itabaiana é o que registra maior índice. Nos últimos dois dias do mês de maio foram registrados quatro mortes, duas no interior e duas na capital, entre as vítimas uma criança de nove anos, assassinada com um tiro no peito durante um assalto na cidade de Capela. Em 2011, foram registrados 671 assassinatos.
 
Dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Segurança Pública mostram que até abril deste ano, 256 pessoas foram assassinadas em Sergipe. Desse total 124 foram na região Metropolitana que abrange as cidades de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros e São Cristóvão. No interior foram 126 homicídios, o município de Itabaiana liderava com 14 assassinatos. Os dados ainda apresentam quatro casos com as vítimas sem identificação. Com base em relatórios enviados pelo Instituto Médico Legal (IML), a reportagem do JORNAL DA CIDADE calculou que do mês de maio, até quarta-feira, 30, foram registrados 57 homicídios.
 
Para a doutora e criadora do curso de mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal de Sergipe (UFS), professora Vânia Fonseca, a impunidade tem sido um fator preponderante para o aumento no número de homicídios em Sergipe. “Estamos observando um desrespeito à vida humana”, disse. Ela é responsável pelo projeto “Ambiente e violência em Sergipe. Mapeamento dos homicídios nos municípios sergipanos ocorridos no período 2006 a 2010”. O objetivo é estudar o ambiente social e verificar como isso está relacionado a ocorrências dos homicídios.
 
Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Sergipe, Carlos Augusto Monteiro, é preciso rediscutir a questão da segurança pública. “Vejo com muita preocupação. Estamos vivendo uma crise. Observamos que não é só a repressão que irá coibir a violência”, disse. Ele comentou ainda sobre as críticas sobre o papel da comissão de Direitos Humanos da entidade. “Quando se fala em direitos humanos não se recepciona muito bem. Digo e repito que é para proteger todo e qualquer cidadão, sobretudo os homens e mulheres de bem”, finalizou.
 
Casos
Dos quase 320 homicídios deste ano, o de maior repercussão foi o triplo assassinato dentro do Hospital de Governador João Alves Filho, no dia 27 de abril. Foram vítimas Cledson dos Santos, Márcio Alberto Silva Santos e Adalberto Santos Silva. Um tenente e um soldado da Polícia Militar são acusados pelo crime. As três mortes teriam sido resultado do assassinato do irmão dos policiais, após ser atingido em uma troca de tiros na Avenida Santa Gleide.
 
No dia 29 de maio, Brena Santos Oliveira, 9 anos, foi assassinada no município de Capela, com um tiro no peito durante um assalto a uma mercearia. Outras duas mulheres, identificadas como Claudia Barbosa Santos, 38, e sua filha, Alessandra Barbosa Santos, 20, também foram feridas. Na última quarta, 30, dois  homens foram mortos. O primeiro foi a tiros em uma lanchonete localizada na Avenida Heráclito Rollemberg, no bairro São Conrado. O segundo foi um possível assaltante, morto quando tentava roubar uma casa comercial na Rua Alagoas, no bairro Siqueira Campos. Ele teria sido baleado por um suposto cliente. 


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