quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cânion do Rio São Francisco



O esforço conjunto do homem e da natureza deu ao Agreste sergipano um dos mais belos espetáculos do planeta. Paisagens belíssimas, formações rochosas deslumbrantes, água cristalina, trilhas ecológicas, vegetação exuberante e fauna diversificada: Isso é Xingó, localizado no município de Canindé do São Francisco, a 213 km da capital.
Navegar por entre as rochas dessa gigantesca muralha encravada no meio do Alto Sertão de Sergipe é algo inesquecível. São vales grandiosos, formando canyons de até 50 metros de altura, circundando um lago que, em alguns pontos, atinge até 190 metros de profundidade. Ninhais de garças e ilhas flutuantes completam o espetáculo. Em Xingó, a natureza caprichou em todos os detalhes.
As rochas guardam vestígios dos primeiros habitantes da região, que ali viveram a mais de oito mil anos atrás. E, também, as marcas das andanças do bando de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, em tempos menos distantes. A trilha de Angico, no município de Poço Redondo, leva à grota do mesmo nome, local onde morreram Lampião, Maria Bonita e mais nove companheiros.
Ver e dar um mergulho no rio São Francisco é uma emoção muito forte, uma experiência cheia de energia. Mas emocionante, mesmo, é conhecer o Canyon de São Francisco e o Lago de Xingó - resultado do represamento de parte do rio para a construção da Hidrelétrica de Xingó -.
Mergulhar nas suas águas esverdeadas e sentir a grandiosidade proporcionada por paredões de arenito rochoso, contrastando com pássaros de diversas espécies é um espetáculo à parte.
Em pleno semi-árido nordestino, na porta de entrada da caatinga, tendo ao fundo a Serra do Chapéu de Couro, o canyon, com seu lago navegável por 60 quilômetros - de Xingó a Paulo Afonso - oferece deslumbramento em cada reentrância de seus paredões.
As antes inavegáveis corredeiras deram lugar a águas mais calmas, possibilitando inesquecíveis passeios de catamarã num labirinto de belíssimas formações rochosas, de 60 milhões de anos de existência, que infundem respeito e admiração em quem as contempla.
De catamarã ou lancha, percorrer esse mar em pleno sertão - que une os estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco - é uma sucessão de belas imagens, geradas pela evolução dos pássaros ao entardecer e pelas formas de seus rochedos, identificados um a um pelos ribeirinhos. O mais famoso é a Pedra da Águia, um capricho da natureza com a forma da ave. Todos os passeios incluem paradas para mergulho, sendo um dos melhores pontos a Gruta do Talhado.
Não deixe de visitar a Usina de Xingó. A visita começa com apresentação de vídeos sobre a obra e termina com um passeio pelas barragens de desvio. É impressionante a grandeza da Hidrelétrica, a terceira maior do Brasil, com seis turbinas
Para os amantes da natureza opções não faltam. Uma caminhada pela trilha do Vale dos Mestres é algo deslumbrante e dura cerca de duas horas. A partir do leito seco de um riacho, próximo ao povoado Curituba, a 30 km da sede do município, o visitante conhece a vegetação típica da caatinga, a fauna do sertão e os paredões de arenito rochoso, com pinturas rupestres de mais de três mil anos.
São inúmeras as opções de passeios nas margens do Velho Chico, entre Sergipe e Alagoas. Na parte não represada do rio, um passeio de catamarã leva à Grota de Angico, já no município vizinho de Poço Redondo. Lugar cheio de mistério a 750 metros da margem do rio, na grota morreram Lampião e mais nove integrantes do bando, emboscados pela volante do tenente João Bezerra.
Dotado de belíssimas paisagens, praias fluviais como as de Curralinho, Bom Sucesso, Cajueiro e Angico, as serras Negra - ponto culminante do Estado - e Guia, e trilhas ecológicas por entre a vegetação típica da caatinga, o município de Poço Redondo abriga, também, vários sítios arqueológicos, nos quais foram encontrados materiais líticos e fósseis pré-históricos.
Historicamente, Poço Redondo é conhecido por ter sido o cenário do Cangaço. O povoado Maranduba foi o palco da última grande batalha do grupo de Lampião, morto na Grota de Angico, em 1938.
Mais registros da história do Cangaço brevemente poderão ser vistos no Memorial do Cangaço, que está sendo construído na cidade de Poço Redondo.
Um passeio de catamarã leva à Grota de Angico. No percurso até a grota, muito da história do Cangaço e os encantos da caatinga.
Não deixe de visitar o Museu Arqueológico de Xingó, cujo acervo arqueológico reúne de 55 mil peças: esqueletos humanos, utensílios e registros gráficos, referentes aos aspectos da cultura do homem que, como revelaram as pesquisas, já se encontrava na região há pelo menos 9 mil anos.
No museu encontra-se grande parte do material resgatado do Sítio Arqueológico do Justino, alagado com o enchimento do lago de Xingó.
"museu" de Véio
Já no caminho para Canindé, no município de Nossa Senhora da Glória, uma raridade: a casa-museu de Veio, como é conhecido nacionalmente um dos mais famosos artesãos sergipanos. O local parece uma exposição de arte ao ar livre: há esculturas de vários tamanhos espalhados por toda parte, cada uma delas contando um pouco da vida, dos mistérios e das lendas da região.
ILHA DO OURO
Localizada a 190 km da capital, no município de Porto da Folha, às margens do rio São Francisco, a Ilha do Ouro é um paraíso para amantes do ecoturismo: Belezas naturais, mistérios e traços históricos dos colonizadores holandeses e jesuítas que ocuparam a região no século XVII.


Um comentário:

  1. Quem tiver a oportunidade de conhecer esse lugar com certeza não ai se arrepender!

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